SAP Sapphire 2026: o que é preciso saber antes de agir?

Por Felipe Requião

Em maio de 2026, a cidade de Orlando foi o centro das atenções durante o SAP Sapphire. No evento, Christian Klein, CEO da SAP, subiu ao palco diante de mais de 18 mil participantes, presenciais e virtuais, e anunciou algo raro para uma empresa com mais de 50 anos de história: uma reinvenção completa do modelo de negócios.

O anúncio foi grandioso, mas a pergunta que clientes e parceiros precisam responder é mais prática: o que isso significa para a empresa agora? O que mudou de verdade, o que ainda está sendo construído e o que é preciso fazer nos próximos meses?

Neste artigo, você vai entender os principais pontos apresentados no SAP Sapphire 2026, o papel da nova SAP Business AI Platform e os cuidados necessários antes de avançar em iniciativas de inteligência artificial aplicada aos processos empresariais.

O que foi anunciado no SAP Sapphire 2026?

Durante o evento, Christian Klein anunciou o lançamento da nova SAP Business AI Platform, base da visão de futuro da SAP para os negócios: a Empresa Autônoma.

Nessa visão, agentes de inteligência artificial passam a executar processos, enquanto os colaboradores podem se concentrar em atividades mais estratégicas e decisões de maior valor.

Mas, afinal, o que é a SAP Business AI Platform?

O que é a SAP Business AI Platform?

Conhecida pela comunidade como SAP BAIP, a nova plataforma unifica estruturalmente três pilares antes separados:

  • SAP Business Technology Platform (BTP)
  • SAP Business Data Cloud (BDC)
  • AI Foundation com SAP Joule

Na prática, o SAP BTP não acabou. Ele foi incorporado e expandido dentro de uma arquitetura maior. Isso significa que empresas que já investiram em BTP não perderam esse caminho. Pelo contrário: estão um passo à frente na preparação para a nova camada de inteligência da SAP.

Se o BTP era o motor de alta performance de um carro, a SAP Business AI Platform é o veículo completo, com motor, GPS, piloto automático e painel inteligente integrados em tempo real.

As três camadas da SAP Business AI Platform

A arquitetura da nova plataforma se divide em três camadas modulares, que sustentam a operação dos agentes de IA dentro do ambiente corporativo.

Context Layer

Definida pelo CTO Philipp Herzig como o coração do sistema, a Context Layer é responsável por levar o conhecimento do ERP para os agentes de inteligência artificial.

Christian Klein destacou que a margem de erro de IAs genéricas é inaceitável para processos críticos, especialmente quando esses modelos ignoram regras de negócio, permissões e segregação de funções.

Essa camada une elementos como:

  • SAP Domain Models
  • Knowledge Graphs
  • SAP Business Data Cloud

Com isso, os agentes passam a contar com uma espécie de “memória corporativa”, capaz de compreender regras, estruturas e relações internas sem depender de parametrizações manuais em cada processo.

Build Layer

A Build Layer é o ambiente em que desenvolvedores criam agentes por meio do Joule Studio 2.0, com uma abordagem de baixo código.

Essa camada também alimenta o Joule Work, interface que inaugura a chamada “Appless Experience”, substituindo parte da navegação tradicional por telas e aplicativos por interações conversacionais.

Durante o evento, foram anunciados mais de 200 agentes especializados e 50 assistentes Joule para áreas como:

  • Finanças
  • Recursos Humanos
  • Supply Chain
  • Compras
  • Customer Experience

Para acelerar o ecossistema, a SAP também anunciou um fundo de € 100 milhões para parceiros focados nessa camada.

Governance Layer

A Governance Layer centraliza o compliance por meio do SAP AI Agent Hub, baseado no SAP LeanIX.

Com disponibilidade prevista para o terceiro trimestre de 2026, sem custo adicional, o hub permitirá gerenciar e auditar agentes próprios ou de terceiros, garantindo respeito a permissões, segregação de funções e privacidade.

SAP Autonomous Suite: a evolução para processos autônomos

É sobre essa base que opera o SAP Autonomous Suite, apontado por Muhammad Alam como uma das maiores evoluções SaaS da história da SAP.

A solução cobre cinco grandes domínios, todos orientados por indicadores de retorno sobre investimento:

  • Autonomous Finance: voltado a processos financeiros e fechamentos
  • Autonomous Spend Management: focado em compras e gestão de gastos
  • Autonomous Supply Chain: direcionado à logística preditiva
  • Autonomous HCM: aplicado a folha, recrutamento e gestão de pessoas
  • Autonomous CX: voltado à experiência do cliente

No evento, o H&M Group exemplificou essa aplicação com soluções como o Store Intelligence Agent, voltado a dados de gôndola, e o InStore Concierge, com informações de estoque e moda em tempo real.

O debate sobre a política de APIs da SAP

Paralelamente aos anúncios de inteligência artificial, a comunidade também debateu a nova Política de APIs da SAP, publicada em abril de 2026.

A atualização restringiu o uso de APIs padrão para conexões diretas com IAs autônomas de terceiros e proibiu práticas como scraping massivo de dados fora do ecossistema homologado.

Segundo Christian Klein, a medida busca proteger a performance do ERP contra gargalos causados por milhões de requisições externas automatizadas.

Isso não significa, porém, um ecossistema fechado. O hub de agentes e o Joule Work seguem com suporte a padrões abertos, como MCP e A2A. A regra não pune integrações inteligentes e estruturadas, mas sim acessos caóticos que colocam em risco a estabilidade do ambiente.

As parcerias estratégicas por trás da nova plataforma

A transformação anunciada pela SAP também conta com parcerias estratégicas importantes.

A Anthropic integrará o modelo Claude como principal motor de raciocínio avançado no Joule, trazendo mais segurança e menor taxa de alucinação para processos críticos.

A NVIDIA fornecerá infraestrutura de hardware para processamento de alta performance, enquanto os hyperscalers Microsoft Azure, AWS e Google Cloud ampliam a hospedagem para suportar os programas RISE e GROW.

O que muda para clientes RISE, GROW e BTP?

Para os clientes, o cronograma prático já começa a ganhar forma.

Empresas no RISE with SAP passam a ter o compromisso contratual de ativação de três Joule Assistants no primeiro ano, com possibilidade de expansão via plano Max Success.

No GROW with SAP, mais de 20 assistentes estão disponíveis desde o início para acelerar go-lives por meio do conceito Grow Fast.

Para empresas que já utilizam o SAP BTP, o investimento está protegido. O próximo passo passa a ser conectar a estrutura atual à Context Layer e explorar as possibilidades do Joule Studio 2.0.

Por que simplesmente conectar agentes de IA não gera valor?

Uma das mensagens mais importantes do SAP Sapphire 2026 veio do próprio Christian Klein: simplesmente conectar agentes de IA ao sistema não gera valor automaticamente.

A jornada exige gestão de mudança, revisão de processos, preparação da base de dados e capacitação dos usuários. A tecnologia só entrega resultado quando está conectada a uma transformação real da operação.

Em outras palavras, a inteligência artificial não substitui a necessidade de estratégia. Ela aumenta a importância de uma arquitetura bem estruturada, dados confiáveis e processos bem definidos.

O que as empresas precisam fazer agora?

Diante desse novo cenário, empresas que desejam avançar com inteligência artificial em ambientes SAP precisam começar por perguntas fundamentais:

  • A base de dados está preparada para alimentar agentes de IA?
  • Os processos estão suficientemente claros e padronizados?
  • As permissões, regras e segregações de função estão bem definidas?
  • As integrações seguem as novas diretrizes da SAP?
  • Existe maturidade interna para adoção, governança e gestão de mudança?

Descobrir por onde começar, preparar a base de dados e integrar agentes externos dentro das novas regras de API exige maturidade consultiva.

Nesse sentido, é fundamental contar com o apoio de uma consultoria que acompanha de perto a evolução da SAP Business AI Platform e apoia clientes na estruturação dessa arquitetura de transição.

A adoção da IA nas operações já é inevitável

O cenário ainda é recente, e o mercado está aprendendo a aplicar inteligência artificial de forma efetiva nos processos empresariais.

Ainda assim, sua adoção nas operações já é inevitável.

Para os usuários, fica o convite para entender o ponto de partida ideal. Para os consultores, o recado também é claro: se ainda não estão criando seus RAGs, Skills e agentes, é melhor correr.

Sobre o autor

Felipe Requião é sócio-diretor da Numen Lean Services, vertical especializada na oferta SAP Cloud ERP na Numen.

Sobre a Numen

A Numen é uma empresa de consultoria com forte atuação em projetos SAP, ocupando o primeiro lugar como parceira na oferta SAP Cloud ERP, por sua abordagem inovadora e foco em resultados.

Para mais informações, visite:
🌐 www.numenit.com

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