*Por Carlos H. M. Aravechia

Processo, pessoas e tecnologia. São esses os pilares que sustentam um S&OP de qualidade nas empresas. Além de tudo o que vimos anteriormente,  a utilização de uma plataforma tecnológica sólida proporciona melhorias na qualidade dos planos gerados e no resultado obtido.

É comum encontrar empresas que utilizam planilhas como plataforma para a execução do S&OP. Apesar de altamente flexíveis, esta tecnologia tem sérias limitações para criar cenários realistas com a agilidade necessária. Um bom planejamento requer dados atualizados e de boa qualidade. 

Além disso, uma plataforma que permita aos participantes alimentar o processo com previsões regionais ou de categorias de produtos, de forma online e colaborativa, eleva o processo de previsão de demanda para um patamar de qualidade muito superior.

A possibilidade de navegar por diferentes agregações de dados, além de útil, melhora a qualidade da previsão estatística e facilita as discussões. Em geral, o erro da previsão é menor quando elaborada para dados mais agregados.

Sistemas integrados ao ERP também apresentam vantagem por trabalharem com dados mais atuais. A necessidade de extrair manualmente os dados de um sistema para, então, alimentar outro utilizado no planejamento, pode levar a erros e falhas no processo, além da perda de agilidade.

Mas afinal, é possível executar o processo de S&OP com planilhas? 

Sim, mas não espere executar um processo robusto, ágil e que se beneficie dos recursos atualmente disponíveis no universo da tecnologia. É importante reforçar aqui que a tecnologia é uma grande aliada, mas sozinha não faz milagre. 

Algumas empresas colocam todas as suas fichas em tecnologia, visando melhorar o S&OP, mas acabam se frustrando com os resultados obtidos. Isso porque, conforme já vimos, um bom S&OP depende de um processo bem desenhado e de pessoas preparadas.

Uma boa alternativa para empresas que buscam evoluir nesse quesito é a definição de uma jornada de melhorias que avance de maneira equilibrada nas três frentes: processos, pessoas e tecnologia, medindo o progresso e os benefícios colhidos ao longo do caminho.

Para isso, é recomendável que as empresas submetam seu processo de S&OP a uma avaliação de maturidade, identificando assim pontos de melhoria nas três dimensões e elaborando um roadmap para a definição dessa jornada evolutiva.

Empresas que ainda se encontram em um estágio inicial, ou que ainda não possuem um S&OP implementado, podem iniciar sua jornada com maior ênfase nos processos e nas pessoas, utilizando, inicialmente, planilhas como tecnologia de suporte.

Agora, para empresas que já executam o processo em um nível intermediário de maturidade, é possível se concentrar em ajustes nos processos, na capacitação das pessoas e na utilização de uma plataforma tecnológica intermediária, como é o caso do SAP Analytics Cloud (SAC), que traz benefícios quando comparado com planilhas.

Por último, temos o cenário de empresas que já possuem processos maduros. Apesar de estarem em um patamar acima das empresas citadas anteriormente, no caso dessas companhias pode-se ainda encontrar pontos de melhoria nos processos e na capacitação das pessoas, ao mesmo tempo que  é possível realizar uma iniciativa para a adoção de ferramentas mais sofisticadas, como é o caso do Integrated Business Planning da SAP (SAP IBP).

Um bom começo para essa jornada parte do entendimento do cenário atual da empresa por meio de um assessment e na elaboração de um plano de ação para evoluir em todas as dimensões, com objetivos claros a serem atingidos — seja por meio de um projeto tradicional ou um projeto ágil —, com ajustes nos processos, capacitação das pessoas e adoção de ferramentas tecnológicas adequadas.

*Carlos H. M. Aravechia é Engenheiro de Produção, Arquiteto de Soluções em SCM e atua na área de Inovação da Numen