Por Douglas Brito, Arquiteto de Soluções e especialista em SAP para Startups

Todo mundo sabe que um ERP (Sistema Integrado de Gestão Empresarial) é vital para as áreas de finanças, vendas, compras, gerenciamento de risco e outras unidades de negócios de uma empresa.

Independentemente da vertical, do tamanho ou do público-alvo, é importante fazer do ERP uma parte central da estratégia de gerenciamento de negócios desde o início. 

Para pequenas empresas e startups, tão ansiosas por crescimento, isso não é diferente. 

Enquanto as grandes companhias demandam soluções robustas, já que precisam micro-gerenciar todos os aspectos de seu negócio, as startups, que ainda estão em crescimento, buscam soluções mais acessíveis, escaláveis e de fácil implementação.

Dito isso, vou tirar o meu terninho e colocar bermuda e camiseta para entrar no espírito do artigo, e esclarecer algumas das perguntas frequentes que recebo sobre este assunto. Bora lá?

É possível implementar o SAP ERP (SAP S/4Hana) em “empresas diferentonas”?

Para mim, startups, unicórnios, pré-unicórnios, fintechs (ou techfins) são “empresas diferentonas” simplesmente porque diferem das convencionais — e não há mal nenhum nisso. 

Segundo o anjo-investidor João Kepler, uma startup se diferencia de uma empresa convencional por diversos motivos, mas principalmente pela capacidade de criar algo disruptivo e escalável.

E como seria isso, na prática? Disruptivo em que sentido? Bom, vamos lá. 

Certa vez, trabalhando em um projeto de implementação de SAP S/4HANA em uma dessas empresas, ouvi a seguinte frase: 

“Cara, aqui a gente avança/cresce/muda na velocidade da idade dos cachorros”, disse o interlocutor, referindo-se ao fato de que um mês da vida dos humanos equivale a um ano dos dogs. Ao escutar isso, parei e pensei: “Caraca! A parada aqui é outra”.

Um tempo depois, escutei outra frase que me reforçou essa impressão: “Aqui não dá para fazer projeto fechado ou definir o escopo total. Mudar as coisas em um curto espaço de tempo faz parte do nosso business”. De novo, pus a mão no queixo e refleti: “Que mundo é esse???”.

Enfim, sabe quando você percebe que tudo aquilo que você aprendeu em anos de consultoria, todas as técnicas, abordagens e até mesmo linguagens precisavam de uma nova roupagem? Pois é, foi como me senti.

Sem dúvida, trabalhar com startup é completamente diferente de atuar em clientes convencionais — mas isso é assunto para outro artigo, quem sabe ainda maior do que esse. 

Por hoje, o que eu quero dizer é que atender clientes disruptivos como Veloe, Dafiti, iFood e Loggi me mostrou que o core business dessas “empresas diferentonas” era fundamentalmente sólido, tecnológico e fluído, mas a retaguarda precisava de uma atenção.

Ou seja, os processos operacionais e estratégicos precisavam estar no patamar dos sistemas, enquanto os microsserviços deveriam ser utilizados na ponta.

Não à toa ouvíamos expressões como “nosso sistema atual não suporta nosso crescimento”, “estamos expandindo operações fora do país”, “precisamos de um ERP que nos ampare nisso”, “nosso backoffice precisa ser reorganizado” e até “como podemos fazer um projeto básico, rápido e barato?”. 

E é justamente aí que o SAP S/4HANA entra para resolver o problema.

Todos os meus amigos “SAPeiros” e estudiosos desse sistema estão “carecas” de saber o quanto o SAP S/4Hana entrega valor e melhora os fluxos, deixando tudo mais simples — mas as capabilities do S/4HANA também são papo para outro dia. 😉

Geralmente as startups rodam seus principais sistemas e serviços fundamentados em equipes técnicas muito bem estruturadas e ágeis, ou seja, têm uma galera pesada cuidando de inovação, transformação, portais, infra, backend, frontend, etc. 

Sendo assim, aquele discurso de inovação e transformação digital que usamos para convencer o cliente de que um sistema ERP é importante não cola porque essa galera é totalmente digital e já nasceu com tecnologias inovadoras, entende?

Então, como surpreendê-los? Para mim, os caminhos são simplicidade e criatividade. Para ficar mais claro, vou listar cinco passos que considero primordiais, pensando em uma abordagem simples. Vamos lá: 

  1. Um bom discovery (“me entenda”) — Entenda, de fato, como funciona a startup e qual é a sua cadeia de valor;
  2. Avaliação tecnológica (“me entenda verdadeiramente”) — Mapeie e construa em conjunto a arquitetura de sistemas, pensando não somente no ERP;
  3. Solução enxuta (“me dê o que eu preciso e não o que eu quero”) — Traga uma proposta de solução criativa focada no MVP e na Best Practice SAP, visando o modo mais padrão possível. O ponto aqui é construir a aliança entre as partes com foco no sucesso da entrega. Portanto, muito cuidado com as integrações, pois é uma característica muito presente em projetos deste tipo. Faça esse processo direito e nunca subestime a volumetria;
  4. Margem para mudanças (“coração aberto”) — Esse ponto exige muito cuidado, é aqui que pode ferrar tudo! É muito comum o escopo de uma implementação para startup mudar do período de pré-venda até a fase de construção. E aí não tem jeito: é avaliar a magnitude da mudança e discutir os pontos;
  5. Fasear a entrega (“vamos por partes”) — Na construção do roadmap, é importante focar nos processos core do backoffice para uma primeira onda. E depois evoluir de forma cadenciada, harmonizando tecnologias existentes com soluções adquiridas do ecossistema SAP.

Aposto que em algum momento dessa lista você pensou: “Calma, o que você está dizendo se aplica para qualquer empresa, não só para startups.” Sim, de fato. Porém, a diferença está na velocidade do projeto, que precisa ser feito em metade do tempo de uma entrega convencional.

Afinal, as startups não podem levar semanas para entender ou aprender o que deve ser feito para a solução funcionar. Eles precisam de algo que os ajude a começar a trabalhar e que também ofereça margem para melhorar e escalar com o tempo. 

E como fazer isso acontecer? Aí é com a Numen!

Nós temos um package solution para startups, que ajuda demais nas metas de tempo da implementação de SAP S/4HANA. E o mais importante: temos experiência com esse tipo de cliente e seus projetos. Ah! Já ia me esquecendo: também vestimos bermuda e camiseta (brincadeira!).