Por Matheus Dias (Cofundador da Luzid), em parceria com Bruno Dias (Head of AI Innovation Hub – Numen) e Isabella Figueiredo (Jornalista – Numen)
Este artigo conta como tem sido nosso uso interno do copiloto de IA da Luzid e o que aprendemos ao incorporar essa tecnologia ao dia a dia dos nossos consultores.
Projetos enterprise frequentemente esbarram numa mesma realidade:
- uma quantidade enorme de documentação necessária,
- etapas manuais e demoradas,
- dependência alta de consultores experientes,
- e um volume crescente de change requests por falta de clareza inicial.
A Luzid surgiu com uma proposta ousada: automatizar parte desse trabalho “invisível”, mas essencial, usando um agente de IA chamado David.

O David mapeia processos, gera documentação, estrutura blueprints e apoia tarefas desde a pré-venda até o go-live. Em alguns casos, a startup afirma que a automação pode reduzir até 90% do tempo gasto em artefatos complexos.
Isso tudo não substitui o consultor — mas remove trabalho manual para que ele possa pensar em arquitetura, tomar decisões melhores e acelerar entregas.
A jornada da Numen com a Luzid: da curiosidade ao uso recorrente
Nossa história com o copiloto começou usando o David para acelerar e melhorar a qualidade dos BPDs (Business Process Documentation) em setembro.
Em vez de partir de um documento “em branco”, nossos consultores começaram a trabalhar com conteúdo estruturado, acelerando discussões e ganhando clareza no processo de desenho da solução.
Mas esse início também expôs o maior desafio: incentivar a adoção no dia a dia
O maior ponto de atenção, já nos primeiros meses, foi fazer com que o David se tornasse parte natural da rotina dos consultores.
Essa “resistência cultural” é um padrão no mercado, e não algo exclusivo da Numen. Por isso, estruturamos um plano em três fases — que acabou refletindo o próprio amadurecimento da Luzid como plataforma.
Fase 1 — Setembro: O pontapé inicial com BPD
Os primeiros consultores a testarem perceberam rapidamente valor na rapidez de gerar artefatos. Porém, a adoção era baixa e irregular. Era evidente: precisávamos reduzir atrito e tornar a ferramenta mais acessível.
Fase 2 — Novembro: personalização do prompt e aumento na adoção
A Luzid lançou uma nova versão da plataforma permitindo customizar prompts — um divisor de águas.
Com essa personalização, conseguimos adaptar o David à realidade da Numen, ao estilo dos nossos artefatos e à linguagem dos nossos projetos. Isso aproximou o copiloto do consultor, que agora sentia que a ferramenta “falava a mesma língua”.
Assim, a adoção cresceu de forma consistente.
Fase 3 — Janeiro: dados da Numen integrados e uso triplicado
A virada mais significativa veio no início de 2026.
Ao trazer nossos próprios dados para dentro da plataforma, os consultores passaram a usar o David para tarefas ainda mais simples e naturais — como documentações diárias, rascunhos rápidos e apoio no entendimento de processos.
Essa mudança no comportamento fez o número de usuários triplicar.
Com isso, o uso deixou de ser “projeto-piloto” e virou rotina.
Hoje, mais de 10 projetos utilizam em alguma medida o copiloto, somando 50 usuários distintos, que criaram familiaridade suficiente para:
- gerar entregáveis com mais velocidade;
- conectar o conteúdo diretamente ao SAP Signavio;
- trabalhar com informações segmentadas desde o início;
- reduzir tempo de retrabalho;
- diminuir solicitações de mudança (change requests).
Ou seja: a ferramenta deixou de ser um “acessório” e começou a influenciar a qualidade do projeto como um todo.
Nosso foco agora: remover atrito e expandir valor
Nesta etapa da jornada, nosso esforço está em reduzir o atrito na taxa de adoção, garantindo que:
- todo o conteúdo relevante esteja disponível e organizado dentro da plataforma;
- o David seja acionado naturalmente pelos consultores e se torne parte integrante do fluxo padrão de entrega;
- os testes dos projetos sejam significativamente acelerados com o uso do David;
- e os riscos sejam monitorados de forma holística, desde o assessment inicial até o go-live.
À medida que o uso aumenta, conseguimos também testar novos fluxos, sugerir melhorias e cocriar estratégias com a Luzid para gerar ainda mais valor para nossos clientes.
Estamos aprendendo — e evoluindo — rápido.
O que isso significa para o futuro?
Matheus Dias é cofundador e COO da Luzid, startup de soluções de IA para acelerar implementações de softwares corporativos. Em sua passagem por Stanford, acompanhou a ascensão dos LLMs em 2022 e tornou-se membro fundador da Orby AI, colaborando com empresas como Google, Uber e Airbnb.