*Por Carlos H. M. Aravechia

O processo de S&OP é conhecido há mais de 30 anos, mas empresas de diversos setores e de diversos tamanhos ainda encontram dificuldade para executá-lo de forma efetiva e colher seus benefícios.

Entendemos já qual a importância do processo na execução e implementação de um bom S&OP em um negócio. Agora é a vez de entendermos qual o papel-chave que as pessoas desempenham para a empresa alcançar um Planejamento Integrado de Vendas e Operações efetivo e de qualidade.

Elaborar um bom plano já traz consigo algumas dificuldades decorrentes das incertezas. No caso de um bom S&OP, há um desafio adicional: a necessidade de integração entre as áreas participantes em busca do melhor resultado para a organização a longo prazo, e não para uma área apenas.

O caminho para o sucesso do S&OP passa, principalmente, pela educação e por uma cultura que promova o entendimento de alguns pontos-chaves:

  • Trade-offs envolvidos na organização;
  • Estratégia que norteia os processos;
  • Indicadores de desempenho que mostram se a empresa está no caminho correto;
  • Um sistema de incentivos que promove o coletivo e não apenas a simples superação de metas que não convergem para o futuro desejado pela organização.

Uma boa compreensão do processo,  etapas,  objetivos, desafios e benefícios associados, desde o conselho da empresa até os níveis operacionais, passando pelo CEO e diretores, irá ajudar para que os participantes atuem de forma integrada.

Sem uma visão ampla dos negócios, é comum que o processo fique sujeito a disputas entre diferentes áreas, que acabam por puxar a mesma corda para lados opostos. 

Um bom processo não elimina os trade-offs em uma empresa, mas cria um ambiente saudável para encontrar um ponto de equilíbrio adequado com a estratégia e fomenta a busca por soluções mais robustas.

O processo deve ser conduzido com neutralidade, com o suporte das lideranças e com a participação efetiva dos envolvidos. Além disso, os planos de curto prazo devem ser elaborados de forma a respeitar as diretrizes estabelecidas pelo S&OP.

Muitas empresas acreditam possuir um processo suficientemente maduro e investem muitos recursos exclusivamente em tecnologia, negligenciando as pessoas e seus conhecimentos (ou a falta deles) em torno do processo — quando na verdade o fator “pessoas” é um dos mais importantes para que o S&OP possa funcionar plenamente.

O último pilar para entender de vez o porquê de algumas empresas ainda terem dificuldade para executar um bom processo de S&OP é o da tecnologia. A última parte do artigo sai na semana que vem, não perca.

*Carlos H. M. Aravechia é Engenheiro de Produção, Arquiteto de Soluções em SCM e atua na área de Inovação da Numen